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Sentada na mesa de casa tomando um café, pensei em como as coisas evoluem...


Hoje fazemos fator sem crise, sem choro... mesmo que debaixo de chantagem (risos)... Mas lembro do tempo em que era preciso eu o pai mais dois ou três enfermeiros, e Jorge gritava,suava, eram várias tentativas... e quantas  vezes eu chorei com ele,.. 

Quantas vezes eu orei em silêncio e quantas vezes eu odiei com todas as forças a hemofilia....

Eu o vi chorar de perder o folêgo, eu o segurava, eu cantava pra ele... e  mesmo que entre gritos que me cortavam a alma, eu sabia que era o melhor... 

Vontade de desistir de tudo foram várias, muitas  lágrimas engolidas, noites sem dormir, mas  resistimos de alguma forma talvez pela teimosia, pela resiliência.. e principalmente por DEUS.

Nada foi fácil tudo conspirava contra nós, mas somos teimosos, somos fator 8 de coagulação sanguinea (risos).

 Doi ainda dói, as lágrimas ainda vertem diversas vezes mas também temos sorrisos soltos...

Assim é ser mãe de hemofilico,  ser mãe do jorge,  do meu intrépido sagitariano..... 

Abraçamos a causa. E seja qual for  a situação, enfrente, sinta todas as dores possíveis pois só cicatriza ferida que  sangra, que inflama.. eu senti tudo, cada veia, cada furo, cada choro.

Tenho uma lembrança do meu bebê sedado fazendo tomografia depois de uma queda aonde bateu a cabeça, e ainda hoje posso me ver  no canto da sala com o colete de proteção  contra radiação do exame, sozinha, porque as vezes  de fato eu estava muito sozinha, ainda  me vejo ainda cochilando no corredor do hospital tantas vezes esperando o parecer do neurologista se tinha tido ou não hemorragoa. 

 E quantas vezes for preciso vou cochilar no chão... lembro de tantas vezes só com um café no estômago durante doze horas ou mais.

A hemofilia chegou  derrubando tudo aqui em casa.... Mas vamos vencendo...

Fácil jamais será,  mas hoje bem mais tranquilo.

Sou cada dia mais mãe, cada dia mais mãe de hemofílico,  cada dia hemofilia.

 #todos os tons de vermelho 

Diários de uma mãe com h

 Anita D'avila é mãe do Jorge que tem hemofilia

Este post não é sobre hemofilia, mas precisava faze-lo 
Não me recordo aonde li que o mundo não gosta das crianças e que ele é machista, e fiquei pensando a respeito.  

Depois de pensar muito  comecei a analisar,  os locais públicos dificilmente contam com espaços para troca, ou mesmo áreas infantis, não existe nenhuma estrutura para receber pequenos, como se suas mães ou eles mesmos não fossem bem vindos nestes locais,  e só reparar na cara feia que as pessoas fazem num shopping, ou mesmo num restaurante diante do choro, da birra,ou qualquer coisa que venha do universo infantil,as crianças são rejeitadas todo o tempo, em todos os espaços, então criaram tablets,celulares e  inúmeros aplicativos infantis para que os pequenos se tornem calados e menos presentes em nossas vidas.

 



Que saudades de chorar por um doce, uma boneca ou um brinquedo qualquer,que saudades quando o maior sonho de consumo era ir no mercadinho da esquina comprar salgadinhos e chocolates. bater carta, brincar na rua, as pessoas costumam  dizer que esta geração está estragada, só pensa em celular , mas me pergunto quem os estragou? quem tentou cala-los? 

por um acaso quando você anda na rua e vê uma criança esperneando você pensa "ah coisa de criança!" ou será que já pensa o famoso"ah se fosse meu filho!" 

Precisamos amar nossas crianças novamente, precisamos ser mais naturais e menos mecânicos e hipócritas #porummundoinfantil  


 Anita Souza é mãe do Jorge e é colaboradora deste blog.

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Sentada na mesa de casa tomando um café, pensei em como as coisas evoluem, hoje fazemos fator sem crise, sem choro... mesmo que debaixo de chantagem (risos) mas lembro do tempo em que era preciso eu o pai e mais dois ou três enfermeiros, e Jorge gritava,suava, eram várias tentativas... e quantas vezes eu chorei em com ele e orei em silêncio e quantas vezes eu odiei com todas as forças a hemofilia... eu o segurava, cantava pra ele... o choro me cortava a alma mas eu sabia que era o melhor... lembro das vezes que ahemofilia chegava derrubando tudo aqui em casa. Fácil jamais mas hoje bem mais tranquilo

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